Da pátria dos caciques…

Ahhhhh a terrinha! Cacequi, capital dos trovadores e capital da melancia. Quem conhece jamais esquece. Temos uma baita história MAS, porém, todavia, contudo, pouca bibliografia POR ENQUANTO.

Devido a isso, compartilho com vocês dois escritos sobre nosso passado sobre os trilhos:

Um é o artigo “Dados sobre a Estação Ferroviária de Cacequi e a história da Viação Férrea no Rio Grande do Sul“, da professora Lisiane Pereira Garcia.

E o outro a monografia da professora Marilei Toledo dos Anjos, “Esse trem é história“.

E não é porque são trabalhos acadêmicos que não são legais. Os dois textos são maravilhosos e ricos em informações, algumas até engraçadas, daqueles textos pra ler em voz alta pra vó.

Então PARE, OLHE E ESCUTE:

Ponte do Entroncamento, maior ponte férrea da América Latina. Essa foto não achei os créditos, retirei do Pinterest

Dados sobre a Estação Ferroviária de Cacequi e a história da Viação Férrea no Rio Grande do Sul: Parte 1, Parte 2, Parte 3 em PDF

Esse trem é história: completa

Agradecemos as professoras Lisiane e Marilei pelo empréstimo dos seus trabalhos. Muito obrigada!

Por que comemoramos?

Um revolta de 1835 que não foi uma revolução, uma guerra perdida com uma “paz honrosa”, que data é essa que celebramos todos os anos?

Ainda estamos no mês farroupilha mas a nossa tão querida SF, Semana Farroupilha, chegou ao fim, esse ano diferente, sem baile, sem ronda, sem desfile no dia 20, além da saudade nos fez repensar nossas atitudes, modo de fazeres e outros.

Como sou professora de história todos os anos vejo vários colegas fazendo questionamentos sobre nossas comemorações e, esse ano resolvi escrever esse texto pois faço parte de um grupo de professores de história no facebook no qual surgiu a pergunta “Qual o real significado hoje do dia 20?”, e as respostas foram das mais variadas, inclusive (e infelizmente) o relato de uma colega que é proibida pela diretora de uma das escolas em que trabalha de contar a história “real”.

Trago a minha resposta para vocês e confirmo, estudando e conhecendo a história podemos continuar comemorando sem romantizar.

Respondendo as perguntas do começo do texto: Revolução é um termo histórico utilizado quando através de um ato revolucionário todas as camadas da sociedade sofrem mudanças drásticas, os mais variados aspectos da vida em sociedade se modificam, e não foi o caso da Guerra dos Farrapos.

A Paz Honrosa é um modo de dizer: perdemos a guerra mas conseguimos o que queríamos. Através da assinatura do Tratado de Poncho Verde, os revoltosos não foram penalizados, as dívidas da República Rio-grandense o Império assumiu, os farroupilhas indicariam o novo presidente da província e, principalmente, o charque estrangeiro teve seus impostos aumentados, este sim o real motivo da guerra: o preço do charque.

Para saber mais: Curiosidades do Tratado de Poncho Verde

Deixo aqui esse vídeo que fizemos para abrir a Semana Farroupilha 2020 com essa música que fala um pouco sobre:

Doce Setembro

Já que este ano é diferente, celebraremos nosso mês de forma diferente também: Juntos virtualmente, protegidos em nossas casas, e mesmo assim comemorando nossa cultura.

Sim, está todo mundo suspirando pelos cantos, saudosistas… mas temos que nos cuidar e cuidar dos outros. Tínhamos várias programações para a Semana Farroupilha, continuamos agora de forma online.

Pra começar, nesse Dia do Jovem Tradicionalista, trazemos esse challenge feito com muito carinho pela gurizada da Invernada Artística Alma Farrapa do C.T.G. General Osório.

Agradecemos a todos e Viva a Juventude Tradicionalista!

É as gurias!

“Sou guerreira, sou valente, sem deixar de ser mulher”

O Grupo Tradicionalista Feminino Cabo Toco foi fundado no dia 1° de Maio de 2017, com o intuito de reunir as Mulheres de nosso município (Cacequi-RS), que admiram o Tradicionalismo Gaúcho, e assim, organizar Cavalgadas Femininas e Eventos Tradicionalistas para manter viva a nossa tradição.


O nome do Grupo é, uma singela homenagem a Olmira Leal de Oliveira, a Primeira Mulher no Rio Grande do Sul a integrar a Corporação da Brigada Militar e, participar dos Movimentos Revolucionários de 1923, 1924 e 1926, e aos 21 anos, Cabo Toco foi escalada para integrar as fileiras da Brigada Militar, como enfermeira e combatente no 1º Regimento de Cavalaria. Hoje 1º Regimento da Polícia Montada com sede em Santa Maria-RS.

Graduada a Cabo, devido a sua baixa estatura, por isso atendia por CABO TOCO. Empunhando seu fúzil, Olmira lutava lado a lado, com a mesma valentia dos demais soldados. Depois de passar por várias batalhas com destaque de bravura, deixou a Corporação em 1932.
Mulher forte, guerreira e símbolo vivo da história do Rio Grande do Sul. Andava pelas ruas com sua velha carroça, cansada e sem rumo e carregava consigo a história que o povo não conhecia. Mesmo sendo considerada uma heroína na história do RS, Cabo Toco só ficou conhecida depois que, em 1987, foi lançada uma canção contando a sua história na voz de Fátima Gimenez.


E esta, é uma frase que faz parte da letra da música que conta sua história: “Entrei de frente na história e, acredite quem quiser, em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher”.
Por isso então, o nome escolhido ao nosso grupo, uma singela homenagem a esta mulher guerreira e batalhadora que muito bem representou as mulheres gaúchas.
Atualmente, o grupo tem como Patroa Leila Mônego e Capataz Celene Albeche, e ainda, conta com 30 componentes de 3 a 66 anos.
O G.T.F. Cabo Toco tem como intuito ser solidário à comunidade carente, preservar, promover e divulgar o TRADICIONALISMO GAÚCHO, através de atividades e eventos diversos, primando sempre pela união, ética e igualdade de todos.
Carregamos conosco o bordão “Sou guerreira, sou valente, sem deixar de ser mulher”, pois, é assim que somos!

Juliézi Mônego – Componente do G.T.F. Cabo Toco.

Convidei a Juliézi minha amiga e colega (super prof!) para contar sobre o G.T.F. Cabo Toco, da qual ela faz parte Grupo bem conhecido e atuante na cidade. Obrigada Jú.

Desvendando o Hino Tradicionalista

Com letra e música de Luiz Carlos Barbosa Lessa, o Hino Tradicionalista foi aprovado no 43º Congresso Tradicionalista que ocorreu na cidade de Santa Cruz do Sul, em 1998.

Barbosa Lessa pensou em um hino para ser dançado, porém, nem sempre todas as autoridades presentes à mesa de honra são tradicionalistas ou conhecem o hino, portanto só o cantamos (mesmo que o pé fique coçando). A letra traz muito do imaginário sul riograndense e vamos “tentar” pontuar todas essas características.

Mas quem é Blau? E que raios é uma Salamanca? Vou te contar, mas antes vamos à letra:

Hino Tradicionalista

Eu agradeço a Salamanca do Jarau
Por me ensinar o que aprendeu com “Velho” Blau:
Com alma forte e sereno coração
Achei meu rumo pra sair da escuridão.
Vi uma luz que se tornou fogo-de-chão.
sorvi a luz no ritual do Chimarrão,
E descobri que é a Cordialidade
Que nos conduz à real felicidade.

Avante, cavaleiro mirim!
Em frente, veterano peão!
Lado a lado, prenda e prendinha!
Todos juntos dando a mão.
Avante, seguindo os avós!
Em frente, trazendo os piás!
Coisa linda é se ver gerações
Convivendo em santa paz.
E dá uma gana de sair dançando,
ou gritando com força juvenil:
“Viva a tradição gaúcha
dos campeiros do Brasil” ( bis )

Bueno, vamos por partes: Salamanca do Jarau é uma das lendas que João Simões Lopes Neto (1865-1916) conta em seu livro Lendas do Sul. Jarau é um lugar, o Cerro do Jarau que fica em Quaraí. Salamanca também é um lugar, só que é uma cidade na Espanha.

Acontece que um princesa moura da cidade de Salamanca foi transformada numa bruxa que fugiu e veio parar nesses pagos. De chegada Anhangá-Pitã, o diabo dos indígenas, a transformou na teiniaguá, uma lagartixa com uma pedra cintilante no lugar da cabeça. Pra resumir, quem prendesse a teiniaguá se tornava muito rico, e um sacristão consegue o feito. Mas, de noite, ela voltava a ser a bela princesa e o sacristão apaixonasse por ela. Eles são descobertos, ela foge e ele é sentenciado a morte. No dia da execução ela o salva e leva para morar com ela no Jarau, onde em uma caverna guardava seus tesouros.

Tá, e porque agradecer a essa lenda? Lessa gostava da lenda e acreditava que as pessoas estavam esquecendo dela, então ele resolve trazê-la para o hino.

E o Blau? Blau Nunes o nome do quera, descendente dos povos nativos, a vó charrua quem contou essa lenda pra ele e o desenrolar da história tu podes ler aqui . Esse é invenção do Simões Lopes Neto, personagem que nos conta essa e outras tantas lendas, histórias e causos em seus livros.

Segue o hino falando do fogo-de-chão (tem um em São Sepé que está acesso tem uns 200 anos), do ritual do chimarrão, uma das nossas tantas heranças indígenas, e chega na parte que eu mais gosto: descobri que a cordialidade, que nos conduz a real felicidade! Em tempos que tanto se fala de empatia o Sr. Barbosa já tinha cantado essa pedra.

Encerra juntando as gerações: veteranos, prendinhas, prendas e piás. E isso é uma das coisas mais legais dentro do tradicionalismo: aprendemos com os vaqueanos e eles aprendem conosco, cultuando juntos nossa tradição.

As prendinhas da 7ª Região Tradicionalista Bárbara Vitória Spannenberg Vieira, Ana Flor Spannenberg Vieira e Gabrieli Rosário que foi 1ª Prenda Mirim da 7ª Região Tradicionalista em 2018 cantam um pedacinho do hino pra gente ouvir. Obrigada gurias!

Agradecemos aos amigos Alexandre e Ana Paula da Universidade Livre da Tradição Gaúcha que sempre nos apoiam nas indiadas da vida!

O sonho de liberdade

É incerta a data da chegada dos primeiros negros no Rio Grande do Sul, mas provavelmente foi no início da colonização lusitana, em 1737, são 150 anos da presença deles no estado.

Nas estâncias o trabalho escravo era nas lavouras e na casa de seus senhores. Eles abasteciam a casa de água, lenha, ordenha de leite, plantavam e cozinhavam. Os primeiros estancieiros não utilizavam o negro como peão, pois esse trabalho também era feito por indígenas e mestiços, e na verdade, não aceitavam que um ato que era feito por eles mesmos (brancos) fosse feito por escravos. Só depois de alguns anos, com a mão de obra indígena escassa, que o homem negro começou nas lidas campeiras, mas não podiam fazer o uso de cavalos, pois os seus senhores tinham medo de uma fuga.

Ao longo do tempo este povo escravizado foi fazendo de tudo por aqui, eram carneadores, graxeiros, marceneiros, pedreiros, carpinteiros, tripeiros, carreteiros e serventes da casa. Ainda ajudavam a defender as propriedades gaúchas dos ataques dos espanhóis, nas lutas pela fronteira e na Revolução Farroupilha.

Imagens extraídas de HistoriaZine

Foram dez anos de Revolução Farroupilha (1835-1845) que os bravos lanceiros negros (tropas de em média 40 a 50 homens negros, suas armas eram as lanças) lutaram ao lado das tropas farroupilhas, em troca da liberdade prometida pelos generais republicanos. Grande parte destes lanceiros eram escravos fugidos do lado inimigo, os imperiais.

Exército Imperial Brasileiro

No dia 14 de novembro de 1844, o acampamento que era liderado pelo General David Canabarro sofreu um ataque “surpresa”, da tropa liderada por Francisco Pedro Buarque, o Moringue (militar brasileiro a serviço do exército imperial na Revolução Farroupilha) sucedendo a um massacre de Lanceiros negros, massacre este conhecido por  “Traição de Porongos” pois o David Canabarro, fora avisado que as tropas de Moringue estavam próximas, porém nada fez, pois sabia ele que o império jamais aceitaria a libertação dos escravos, portanto, era mais fácil que eles morressem.

“… Suas marchas devem ser o mais ocultas que possível seja, inclinando-se sempre sobre sua direita, pois posso afiançar-lhe que Canabarro e Lucas ajustaram ter suas observações sobre o lado oposto. No conflito poupe sangue brasileiro quanto puder, particularmente da gente branca da província ou índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro…”

Trecho da carta do Barão de Caxias (presidente e comandante dar armas da província do Rio Grande do Sul) enviada para Moringue, dando a ordem de matar somente os negros, pois tudo já estava combinando com Canabarro. Mais tarde essa carta foi dada como falsa, mas David Canabarro já havia sido acusado quatro vezes de traição, então o Barão de Caxias aproveitou a situação e mandou seu secretário reescrever a carta, logo após, ele assina, e de falsa passa a ser verdadeira. O fato é que David Canabarro nunca admitiu tal deslealdade, jurava ser inocente, a única evidência de traição seria esta carta que antes fora falsificada, então nada pudera ser provado.

Os poucos negros sobreviventes foram enviados para o Rio de Janeiro. Esta foi a “batalha” desigual mais dolorosa na história riograndense, pessoas que deram suas vidas nas batalhas por sua liberdade, e tiveram esse injusto fim, enquanto homens como David Canabarro são considerados os heróis da nossa idolatrada Guerra dos Farrapos, não podemos romantizar tal massacre, jamais devemos esquecer os verdadeiros guerreiros.

Imagem ilustrativa dos lanceiros negros presentes na Guerra dos Farrapos. (Foto: Divulgação/IELA – UFSC)
Imagem ilustrativa dos lanceiros negros presentes na Guerra dos Farrapos. (Foto: Divulgação/IELA – UFSC
Imagem extraída de HistoriaZine

Bibliografia:

Historiadores Euzébio Assumpção e Juremir Machado da Silva

Vídeo: Nação | TVE – Massacre de Porongos – 07/10/2015

Esse texto é da prenda Emilly Paim do C.T.G. General Osório. Tradicionalista desde sempre, ama história e está sempre pesquisando. Esse é um dos muito temas que ela gosta e esse texto foi especialmente escrito pra cá. Só temos a agradecer!

Quando quem ganha é a gente

Na última quinta-feira, dia 06 de agosto, o prendado e peonada do C.T.G. General Osório visitou virtualmente o Asilo de Cacequi.

Além de fazerem um vídeo especial para eles, as prendas e peões presentaram os moradores do Asilo com uma cesta de café da tarde para que na vídeo chamada pudessem tomar café juntos.

Também se doa carinho, atenção e amor. Mas adivinha? Quem doa recebe em dobro. Os moradores ficaram encantados de conversarem com eles e nós com o coração cheio de coisas boas! Muito bom participar disso. Obrigada à todos do Asilo por nos receberem sempre muito bem (Sônia e Jeise por apoiar nossas ideias).

Estamos esperando o vídeo, eles querem fazer um challenge! E vai ter churrasco na Semana Farroupilha ouvi dizer heim?!

Ações no Distanciamento

Nesse vídeo: https://www.facebook.com/EstudandonoGalpao/videos/331496677870787 (que é só amor), o C.T.G. General Osório de Cacequi-RS mostra suas ações durante esse tempo de distanciamento.

Presenteamos a vocês o poema escrito e declamado pela prenda Emili Brum:

Distanciamento

Autoria Emili Brum

Com esse distanciamento meu coração anda machucado
Me dói muito o peito a saudade do tablado
Sinto muita falta do mate com a gurizada
E depois dele os ensaios da invernada
Desse C.T.G. que é uma família faço parte Sou um membro
Nesse ano vou sentir muita saudade do desfile de 20 de setembro
Quando eu estou dançando me conecto com meus parceiros e amigos e viramos uma família
Vai fazer falta os bailes da Semana Farroupilha
Estamos separados mas juntos somos mais fortes, mesmo estando longe nossa conexão nos mantém perto
Para que quando tudo isso voltar, nós esperarmos vocês de braços abertos.

Continuamos pensando e fazendo mais ações para esse tempo, com a certeza de que logo poderemos estar fisicamente juntos de novo.

Aguardem mais vídeos e notícias! Até

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