Doce Setembro

Já que este ano é diferente, celebraremos nosso mês de forma diferente também: Juntos virtualmente, protegidos em nossas casas, e mesmo assim comemorando nossa cultura.

Sim, está todo mundo suspirando pelos cantos, saudosistas… mas temos que nos cuidar e cuidar dos outros. Tínhamos várias programações para a Semana Farroupilha, continuamos agora de forma online.

Pra começar, nesse Dia do Jovem Tradicionalista, trazemos esse challenge feito com muito carinho pela gurizada da Invernada Artística Alma Farrapa do C.T.G. General Osório.

Agradecemos a todos e Viva a Juventude Tradicionalista!

É as gurias!

“Sou guerreira, sou valente, sem deixar de ser mulher”

O Grupo Tradicionalista Feminino Cabo Toco foi fundado no dia 1° de Maio de 2017, com o intuito de reunir as Mulheres de nosso município (Cacequi-RS), que admiram o Tradicionalismo Gaúcho, e assim, organizar Cavalgadas Femininas e Eventos Tradicionalistas para manter viva a nossa tradição.


O nome do Grupo é, uma singela homenagem a Olmira Leal de Oliveira, a Primeira Mulher no Rio Grande do Sul a integrar a Corporação da Brigada Militar e, participar dos Movimentos Revolucionários de 1923, 1924 e 1926, e aos 21 anos, Cabo Toco foi escalada para integrar as fileiras da Brigada Militar, como enfermeira e combatente no 1º Regimento de Cavalaria. Hoje 1º Regimento da Polícia Montada com sede em Santa Maria-RS.

Graduada a Cabo, devido a sua baixa estatura, por isso atendia por CABO TOCO. Empunhando seu fúzil, Olmira lutava lado a lado, com a mesma valentia dos demais soldados. Depois de passar por várias batalhas com destaque de bravura, deixou a Corporação em 1932.
Mulher forte, guerreira e símbolo vivo da história do Rio Grande do Sul. Andava pelas ruas com sua velha carroça, cansada e sem rumo e carregava consigo a história que o povo não conhecia. Mesmo sendo considerada uma heroína na história do RS, Cabo Toco só ficou conhecida depois que, em 1987, foi lançada uma canção contando a sua história na voz de Fátima Gimenez.


E esta, é uma frase que faz parte da letra da música que conta sua história: “Entrei de frente na história e, acredite quem quiser, em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher”.
Por isso então, o nome escolhido ao nosso grupo, uma singela homenagem a esta mulher guerreira e batalhadora que muito bem representou as mulheres gaúchas.
Atualmente, o grupo tem como Patroa Leila Mônego e Capataz Celene Albeche, e ainda, conta com 30 componentes de 3 a 66 anos.
O G.T.F. Cabo Toco tem como intuito ser solidário à comunidade carente, preservar, promover e divulgar o TRADICIONALISMO GAÚCHO, através de atividades e eventos diversos, primando sempre pela união, ética e igualdade de todos.
Carregamos conosco o bordão “Sou guerreira, sou valente, sem deixar de ser mulher”, pois, é assim que somos!

Juliézi Mônego – Componente do G.T.F. Cabo Toco.

Convidei a Juliézi minha amiga e colega (super prof!) para contar sobre o G.T.F. Cabo Toco, da qual ela faz parte Grupo bem conhecido e atuante na cidade. Obrigada Jú.

Desvendando o Hino Tradicionalista

Com letra e música de Luiz Carlos Barbosa Lessa, o Hino Tradicionalista foi aprovado no 43º Congresso Tradicionalista que ocorreu na cidade de Santa Cruz do Sul, em 1998.

Barbosa Lessa pensou em um hino para ser dançado, porém, nem sempre todas as autoridades presentes à mesa de honra são tradicionalistas ou conhecem o hino, portanto só o cantamos (mesmo que o pé fique coçando). A letra traz muito do imaginário sul riograndense e vamos “tentar” pontuar todas essas características.

Mas quem é Blau? E que raios é uma Salamanca? Vou te contar, mas antes vamos à letra:

Hino Tradicionalista

Eu agradeço a Salamanca do Jarau
Por me ensinar o que aprendeu com “Velho” Blau:
Com alma forte e sereno coração
Achei meu rumo pra sair da escuridão.
Vi uma luz que se tornou fogo-de-chão.
sorvi a luz no ritual do Chimarrão,
E descobri que é a Cordialidade
Que nos conduz à real felicidade.

Avante, cavaleiro mirim!
Em frente, veterano peão!
Lado a lado, prenda e prendinha!
Todos juntos dando a mão.
Avante, seguindo os avós!
Em frente, trazendo os piás!
Coisa linda é se ver gerações
Convivendo em santa paz.
E dá uma gana de sair dançando,
ou gritando com força juvenil:
“Viva a tradição gaúcha
dos campeiros do Brasil” ( bis )

Bueno, vamos por partes: Salamanca do Jarau é uma das lendas que João Simões Lopes Neto (1865-1916) conta em seu livro Lendas do Sul. Jarau é um lugar, o Cerro do Jarau que fica em Quaraí. Salamanca também é um lugar, só que é uma cidade na Espanha.

Acontece que um princesa moura da cidade de Salamanca foi transformada numa bruxa que fugiu e veio parar nesses pagos. De chegada Anhangá-Pitã, o diabo dos indígenas, a transformou na teiniaguá, uma lagartixa com uma pedra cintilante no lugar da cabeça. Pra resumir, quem prendesse a teiniaguá se tornava muito rico, e um sacristão consegue o feito. Mas, de noite, ela voltava a ser a bela princesa e o sacristão apaixonasse por ela. Eles são descobertos, ela foge e ele é sentenciado a morte. No dia da execução ela o salva e leva para morar com ela no Jarau, onde em uma caverna guardava seus tesouros.

Tá, e porque agradecer a essa lenda? Lessa gostava da lenda e acreditava que as pessoas estavam esquecendo dela, então ele resolve trazê-la para o hino.

E o Blau? Blau Nunes o nome do quera, descendente dos povos nativos, a vó charrua quem contou essa lenda pra ele e o desenrolar da história tu podes ler aqui . Esse é invenção do Simões Lopes Neto, personagem que nos conta essa e outras tantas lendas, histórias e causos em seus livros.

Segue o hino falando do fogo-de-chão (tem um em São Sepé que está acesso tem uns 200 anos), do ritual do chimarrão, uma das nossas tantas heranças indígenas, e chega na parte que eu mais gosto: descobri que a cordialidade, que nos conduz a real felicidade! Em tempos que tanto se fala de empatia o Sr. Barbosa já tinha cantado essa pedra.

Encerra juntando as gerações: veteranos, prendinhas, prendas e piás. E isso é uma das coisas mais legais dentro do tradicionalismo: aprendemos com os vaqueanos e eles aprendem conosco, cultuando juntos nossa tradição.

As prendinhas da 7ª Região Tradicionalista Bárbara Vitória Spannenberg Vieira, Ana Flor Spannenberg Vieira e Gabrieli Rosário que foi 1ª Prenda Mirim da 7ª Região Tradicionalista em 2018 cantam um pedacinho do hino pra gente ouvir. Obrigada gurias!

Agradecemos aos amigos Alexandre e Ana Paula da Universidade Livre da Tradição Gaúcha que sempre nos apoiam nas indiadas da vida!

O sonho de liberdade

É incerta a data da chegada dos primeiros negros no Rio Grande do Sul, mas provavelmente foi no início da colonização lusitana, em 1737, são 150 anos da presença deles no estado.

Nas estâncias o trabalho escravo era nas lavouras e na casa de seus senhores. Eles abasteciam a casa de água, lenha, ordenha de leite, plantavam e cozinhavam. Os primeiros estancieiros não utilizavam o negro como peão, pois esse trabalho também era feito por indígenas e mestiços, e na verdade, não aceitavam que um ato que era feito por eles mesmos (brancos) fosse feito por escravos. Só depois de alguns anos, com a mão de obra indígena escassa, que o homem negro começou nas lidas campeiras, mas não podiam fazer o uso de cavalos, pois os seus senhores tinham medo de uma fuga.

Ao longo do tempo este povo escravizado foi fazendo de tudo por aqui, eram carneadores, graxeiros, marceneiros, pedreiros, carpinteiros, tripeiros, carreteiros e serventes da casa. Ainda ajudavam a defender as propriedades gaúchas dos ataques dos espanhóis, nas lutas pela fronteira e na Revolução Farroupilha.

Imagens extraídas de HistoriaZine

Foram dez anos de Revolução Farroupilha (1835-1845) que os bravos lanceiros negros (tropas de em média 40 a 50 homens negros, suas armas eram as lanças) lutaram ao lado das tropas farroupilhas, em troca da liberdade prometida pelos generais republicanos. Grande parte destes lanceiros eram escravos fugidos do lado inimigo, os imperiais.

Exército Imperial Brasileiro

No dia 14 de novembro de 1844, o acampamento que era liderado pelo General David Canabarro sofreu um ataque “surpresa”, da tropa liderada por Francisco Pedro Buarque, o Moringue (militar brasileiro a serviço do exército imperial na Revolução Farroupilha) sucedendo a um massacre de Lanceiros negros, massacre este conhecido por  “Traição de Porongos” pois o David Canabarro, fora avisado que as tropas de Moringue estavam próximas, porém nada fez, pois sabia ele que o império jamais aceitaria a libertação dos escravos, portanto, era mais fácil que eles morressem.

“… Suas marchas devem ser o mais ocultas que possível seja, inclinando-se sempre sobre sua direita, pois posso afiançar-lhe que Canabarro e Lucas ajustaram ter suas observações sobre o lado oposto. No conflito poupe sangue brasileiro quanto puder, particularmente da gente branca da província ou índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro…”

Trecho da carta do Barão de Caxias (presidente e comandante dar armas da província do Rio Grande do Sul) enviada para Moringue, dando a ordem de matar somente os negros, pois tudo já estava combinando com Canabarro. Mais tarde essa carta foi dada como falsa, mas David Canabarro já havia sido acusado quatro vezes de traição, então o Barão de Caxias aproveitou a situação e mandou seu secretário reescrever a carta, logo após, ele assina, e de falsa passa a ser verdadeira. O fato é que David Canabarro nunca admitiu tal deslealdade, jurava ser inocente, a única evidência de traição seria esta carta que antes fora falsificada, então nada pudera ser provado.

Os poucos negros sobreviventes foram enviados para o Rio de Janeiro. Esta foi a “batalha” desigual mais dolorosa na história riograndense, pessoas que deram suas vidas nas batalhas por sua liberdade, e tiveram esse injusto fim, enquanto homens como David Canabarro são considerados os heróis da nossa idolatrada Guerra dos Farrapos, não podemos romantizar tal massacre, jamais devemos esquecer os verdadeiros guerreiros.

Imagem ilustrativa dos lanceiros negros presentes na Guerra dos Farrapos. (Foto: Divulgação/IELA – UFSC)
Imagem ilustrativa dos lanceiros negros presentes na Guerra dos Farrapos. (Foto: Divulgação/IELA – UFSC
Imagem extraída de HistoriaZine

Bibliografia:

Historiadores Euzébio Assumpção e Juremir Machado da Silva

Vídeo: Nação | TVE – Massacre de Porongos – 07/10/2015

Esse texto é da prenda Emilly Paim do C.T.G. General Osório. Tradicionalista desde sempre, ama história e está sempre pesquisando. Esse é um dos muito temas que ela gosta e esse texto foi especialmente escrito pra cá. Só temos a agradecer!

Quando quem ganha é a gente

Na última quinta-feira, dia 06 de agosto, o prendado e peonada do C.T.G. General Osório visitou virtualmente o Asilo de Cacequi.

Além de fazerem um vídeo especial para eles, as prendas e peões presentaram os moradores do Asilo com uma cesta de café da tarde para que na vídeo chamada pudessem tomar café juntos.

Também se doa carinho, atenção e amor. Mas adivinha? Quem doa recebe em dobro. Os moradores ficaram encantados de conversarem com eles e nós com o coração cheio de coisas boas! Muito bom participar disso. Obrigada à todos do Asilo por nos receberem sempre muito bem (Sônia e Jeise por apoiar nossas ideias).

Estamos esperando o vídeo, eles querem fazer um challenge! E vai ter churrasco na Semana Farroupilha ouvi dizer heim?!

Ações no Distanciamento

Nesse vídeo: https://www.facebook.com/EstudandonoGalpao/videos/331496677870787 (que é só amor), o C.T.G. General Osório de Cacequi-RS mostra suas ações durante esse tempo de distanciamento.

Presenteamos a vocês o poema escrito e declamado pela prenda Emili Brum:

Distanciamento

Autoria Emili Brum

Com esse distanciamento meu coração anda machucado
Me dói muito o peito a saudade do tablado
Sinto muita falta do mate com a gurizada
E depois dele os ensaios da invernada
Desse C.T.G. que é uma família faço parte Sou um membro
Nesse ano vou sentir muita saudade do desfile de 20 de setembro
Quando eu estou dançando me conecto com meus parceiros e amigos e viramos uma família
Vai fazer falta os bailes da Semana Farroupilha
Estamos separados mas juntos somos mais fortes, mesmo estando longe nossa conexão nos mantém perto
Para que quando tudo isso voltar, nós esperarmos vocês de braços abertos.

Continuamos pensando e fazendo mais ações para esse tempo, com a certeza de que logo poderemos estar fisicamente juntos de novo.

Aguardem mais vídeos e notícias! Até

Trovadores

No dia 18 de julho é comemorado o dia do trovador, essa data foi escolhida para homenagear a data de nascimento de Luis Otávio, pseudônimo de Gilson de Castro, fundador da primeira entidade voltada para o cultivo e divulgação da trova.  A União Brasileira de Trovadores, fundada em 1966, no Rio de Janeiro.

Hoje em dia este improviso é muito popular no estado do Rio Grande do Sul, porém a historia da trova é mais antiga do que parece. Ela se caracteriza como um canto improvisado, todo o lugar do mundo tem sua forma de trovar, mantendo sua identidade local. Existem registros históricos dessa modalidade desde os tempos mais remotos como na Grécia e Roma antiga.

Historicamente a trova se referia a qualquer poesia ou canto. Atravessou os séculos mantendo as mesmas características, simplicidade na versificação, regras e estilos próprios. Muito popular em Portugal e Espanha, no período de colonização, veio na bagagem dos colonizadores, aqui se propagando e assimilando o jeito próprio da nossa terra.

O primeiro trovador que se tem conhecimento aqui no Rio Grande do Sul é Pedro Muniz Fagundes, mais conhecido como Pedro Canga. Ele foi soldado durante a Revolução Farroupilha, e costumava fazer alguns improvisos para entretenimento.

Por muito tempo a trova foi vista como algo impróprio devido sua maneira de propagação, que estava relacionada a brigas e ao álcool, que por muitas vezes aconteciam em bolichos e galpões nas estâncias. A denominação “galponeira”, foi adicionada para diferenciar da Trova Literária, portanto, TROVA GALPONEIRA , pois sua propagação se deu nos galpões das estâncias, através do talento dos trovadores.

São três as modalidades de trovas existentes na atualidade:

  • Mi Maior de Gavetão também conhecida como Trova Campeira, esta modalidade possui tema, É a trova tradicional de desafio (disputa), no Rio Grande do sul, com estrofes em sextilhas (6 versos ou linhas). Esta modalidade, popularizou-se a partir das comemorações do Centenário da Revolução Farroupilha em 1935. Seus primeiros grandes divulgadores foram os trovadores e gaiteiros Inácio Cardoso e Pedro Raymundo. Inácio Cardoso introduziu a sextilha (estrofe de 6 versos), que até então cantavam em quadra (4 linhas). Por ter acompanhamento de gaita com a nota musical MI MAIOR, numa ocasião Inácio Cardoso teria chamado de MI MAIOR DE GAVETÃO, sendo que também chamavam esta tradicional modalidade de TROVA CAMPEIRA. Recentemente designou-se chamar de TROVA CAMPEIRA e o gênero musical de gavetão. Outra historia que também é aceita para a origem e inserção da palavra  “GAVETÃO”, teria então adquirido este apelido no famoso “Grande Rodeio Coringa”, Programa Radiofônico , que tinhas noites de Domingo na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, no fim da década de 50 e início da década de 60 século vinte, pelo Grande Tradicionalista Darcy Fagundes e o folclorista Paixão Cortês , teria sido cunhado o termo GAVETÃO, ao apresentar uma dupla de trovadores, anunciou:

 “Senhoras e Senhores representando a cidade de São Gabriel o trovador “Fulano de Tal” e representando a cidade de Santa Maria “Beltrano de Tal” e para acompanhar essa dupla de artistas o grande gaiteiro do Rio Grande, Albino Manique, me solta um mi maior bem do fundão da gaveta”.

  • Trova do Martelo, sem tema. Caracteriza-se por rima entre as estrofes com um cantador completando a rima do outro. Sem número pré-determinado de versos por estrofe; versos em redondilha maior, com rimas alternadas. A música é vaneira e marcha, com início em Mi Maior. Esta modalidade teria surgido por volta de 1955.
  •  Trova Estilo Gildo de Freitas, possui tema. Os cantores improvisam em torno da composição de Gildo de Freitas “Definição do Grito”, está em ritmo de milonga; estrofes de 9 versos em redondilha maior, com rima no 2º, 4º, 6º e 9º versos e 7º e 8º entre si.

CACEQUI – “Terra Dos Trovadores”

O município de Cacequi é conhecido popularmente pelo estado a fora como “Terra Dos Trovadores”, recebe esse apelido pelos trovadores que levam seu nome em vários festivais e concursos desta modalidade. Tendo destaque os trovadores Doeli Valente, Damião Sabino e Luis Sodré, eles já participaram de festivais muito importantes aqui Rio Grande do Sul como o Enart em Santa Cruz do Sul, Mi Maior de Gavetão promovido pela Associação de Trovadores Luiz Müller em  Sapucaia do Sul, Pua de Ouro  promovido pela Associação de Trovadores Ruy Freitas de Caçapava do Sul entre outros.

Entretanto, não somente tem ativos nesta área, como também cedia um dos festivais mais antigos do estado, o Desafio de Trovadores, com a realização deste 1º Desafio de Trovadores que Cacequi se sobressaiu nesta cultura. Evento este que teve sua primeira edição no ano de 1986.

A trova, que ao chegar ao Rio Grande do Sul, vista com maus olhos logo no inicio, nos dias de hoje, muito valorizada. Sinônimo da força de seus atuantes, da garra e coragem daqueles que foram os responsáveis pela trova organizada e proporcionaram tantas vivencias e oportunidades.

Sendo assim, ela caracteriza e faz parte do folclore do gaúcho, devendo ser incentivada. As cidades, entidades tradicionalistas devem incentivar e sempre procurar novos talentos.

Escrito pela prenda Emili Brum do C.T.G. General Osório de Cacequi – RS. Em sua Ciranda Emili escolheu o tema Trova Galponeira para sua Mostra Folclórica, encantando a todos e valorizando a cultura e história local. O texto foi escrito especialmente para comemorar o Dia do Trovador aqui conosco. Obrigada!

Bibiografia:

http://www.paginadogaucho.com.br/gildodefreitas/trova.htm
TROVA E REPENTISMO SINOPSE DE Paulo Roberto de Fraga Cirne. Assessor de Comunicação Social do MTG
PORTO ALEGRE – RS – Maio de 1999.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Trova_galponeiraSilva, Derly.

Trova Galponeira: história da trova estilo Gildo de Freitas
Derly Silva e Fraga Cirne – Porto Alegre: Evangraf, 2015

https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2018/11/soldado-e-trovador-um-mito-gaucho-chamado-pedro-canga-cjo8wo0o70cgc01rxpdu17cv5.html

Pátria Pampa e os 3%

Um dos maiores orgulhos do gaúcho é afirmar que ele é da “pátria pampa”, mas o que é esse sentimento e de onde ele veio? Logo se constata o orgulho de pertencimento ao local, sendo nativos ou não.

Mas o que é o Pampa?

O Pampa vem de uma palavra indígena que significa região plana, é um dos menores biomas do território brasileiro (só perde para o pantanal), contudo, se estende para além das fronteiras dividindo suas características com nossos vizinhos Uruguai e Argentina. Fazendo fronteira com o Bioma da Mata Atlântica, bem marcadamente pelas florestas de Araucária, na margem da serra gaúcha e, terminando na região das missões. O pampa começa timidamente com os vales em formas de coxilhas até que encontra as planícies da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Além das gramíneas encontra-se: matas ciliares, banhados, matas de pau-ferro, butiazais e formações rochosas, além dos conhecidos campos limpos.

Foto: Vegetação típica do pampa: campo e mata ciliar (imagem: APA do Ubirapuitã).

A diversidade da fauna tão bem camuflada, que por vezes passam despercebidas dos que por ali vagueiam. A vegetação, marcada por gramíneas, cobre um terreno ora pedregoso, ora arenoso. E com o desenvolvimento da agricultura e pecuária vem transformando o pampa em uma colcha de retalhos, aonde os limites das propriedades vão marcando em diferentes tons a imagem da pátria pampa.

Foto: Divisões de campos entre os municípios de Cacequi e Rosário do Sul fazendo a colcha de retalhos com culturas agrícolas e campos nativos (imagem Google Maps)

Quando os colonizadores aqui chegaram, não existiam cercas nem divisões e tudo era um enorme pasto, propício ao desenvolvimento. Dividindo espaço com o parceiro de lida e outro orgulho do gaúcho, o cavalo crioulo, em uma fauna e flora muito rica, encontrando emas, onças pardas, capinchos, antas, graxains, cachorro-do-mato, répteis dos mais variados, e muitas espécies de pássaros de tamanhos e cores que fazem qualquer vivente duvidar que exista tanta diversidade dentro de um campo onde basicamente só se vê pasto (gramíneas), o pampa possui a maior variedade de plantas por metro quadrado dentre os biomas do Brasil.

Plantas ornamentais nativas em remanescente de campo do Bioma Pampa em São Lourenço do Sul (imagem do livro: Cores e Formas no Bioma Pampa, Plantas ornamentais nativas)

Porém, mesmo com toda essa diversidade, o pampa que corresponde a 3% de vegetação nacional, hoje em dia tem em torno de 43% de sua área preservada sendo que somente 3% desse espaço estão em áreas de preservação. Muitos produtores afirmam ter em suas propriedades “pasto nativo”, entretanto, aquela pastagem já foi mexida e remexida por outras culturas e o que cresce ali são releituras do que seria realmente um pasto nativo associado com outras plantas invasoras, como o Capim-Anoni . O Capim-Anoni foi trazido para auxiliar na pastagem da criação de animais e vem se multiplicando e sufocando a flora local, pois não existem animais capazes de consumi-la. Vindo da África, trazidas para melhorar a oferta de pasto, que por ser muito fibrosa e de difícil digestão, ela vem se multiplicando aos milhares já que suas sementes são muito leves e se espalham com o vento.

Outra cultura que vem modificando nosso pampa há anos é o eucalipto.  O Eucalipto veio trazido da Austrália para ser usado no “reflorestamento” comercial, adaptando-se muito bem ao clima do Rio Grande do Sul, sem nenhum predador (assim como o capim-anoni) a planta encontrou um local altamente próspero. Necessitando de muita água para se desenvolver, dessa forma vai minando os lençóis freáticos da região e os efeitos alelopáticos, isto é, efeitos químicos que a planta produz, acabam influenciando no crescimento de vegetação nativa ao seu redor por causa da competição de nutrientes do solo.

E quais as vantagens de se preservar o meio ambiente da pampa gaúcha?

Além das características já informadas, não faz sentido ser orgulhoso de uma coisa que não irá existir. Que vantagens têm os gaúchos de se orgulhar de algo que só deixou saudade? Sendo que ela ainda está aqui viva, pulsante, mas se deteriorando frente ao progresso e ao agronegócio que vem destruindo isso que chamamos de pátria pampa.

Mais degradado que Cerrado e Amazônia, Pampa é o bioma menos ...
FOTO DE SARITA REED/NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

Por mais preservação e sustentabilidade do nosso bioma!

Uma reflexão sobre o chão que pisamos.

Grande abraço para todos.

André Rosais com colaboração do amigo Josiander Maxwell

Pesquisando para o texto encontrei esse livro: Cores e Formas no Bioma Pampa. Plantas Ornamentais Nativas.

Debut Tradicionalista

Buenas pessoal tudo bem? Hoje vamos falar do Baile de Debut Tradicionalista, como começou, onde, quem inventou. E tenho orgulho em contar que foi na minha entidade, C.T.G. General Osório de Cacequi-RS, que essa ideia nasceu e cresceu.

Lá em 1975 nossa patronagem querendo inovar, e precisando substituir um baile chamado Baile da Saudade, pediu que o patrão Sr. Argeu dos Santos Carvalho (1910 – 1997), trouxesse algo novo. Então, ele que já havia sido presidente do Clube Comercial de Cacequi-RS “importou” o Baile de Debutantes do clube e o transformou para os moldes gauchescos.

Sucesso até hoje, apresentando as jovens prendas para a sociedade tradicionalista. A debutante em seu primeiro baile, acompanhada de seus pais e par, tem uma noite de encantos. Nesses 45 anos muitas prendas passaram por nossos salões, e aqui no plural porque se espalhou pelos pagos, realizando esse sonho de menina mulher.

A divulgação desse baile muito se deve ao patrão Sr. Argeu Carvalho, figura conhecidíssima dos Congressos Tradicionalistas de outrora. Foi tropeiro, tradicionalista, folclorista e falta ista para esse pesquisador da história do Rio Grande do Sul. De suas pesquisas se fez a “Coletânea Histórica Argeu dos Santos Carvalho Cacequi na História”, elaborada pelo historiador Jorge Telles.

Quem já teve a oportunidade de participar de um Baile de Debut sabe como é lindo. Desde a decoração, apresentação das prendas, as valsas dançadas por elas…

De vez em quando alguém liga dizendo que tem outro C.T.G. reivindicando o primeiro Debut Tradicionalista, foi assim que foi batizado por seu idealizador (ele pesquisou muito e dizia que “sarau” acontece nos fins de tarde), e lá vamos nós correr para as atas atrás de datas. Até esse ano não entendíamos porque isso acontecia, com mais tempo e atenção descobrimos: pertencíamos a outra região tradicionalista, só depois de alguns anos passamos para 10ªRT.

Primeira menção na ata de 1975. (Sim esse dedo é meu, estava muito feliz de ter encontrado e a foto foi assim mesmo hehehe)

Bem essa é um pequena parte da história, mas que para nós tem grande importância! Feliz em compartilhar com vocês.

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