Debut Tradicionalista

Buenas pessoal tudo bem? Hoje vamos falar do Baile de Debut Tradicionalista, como começou, onde, quem inventou. E tenho orgulho em contar que foi na minha entidade, C.T.G. General Osório de Cacequi-RS, que essa ideia nasceu e cresceu.

Lá em 1975 nossa patronagem querendo inovar, e precisando substituir um baile chamado Baile da Saudade, pediu que o patrão Sr. Argeu dos Santos Carvalho (1910 – 1997), trouxesse algo novo. Então, ele que já havia sido presidente do Clube Comercial de Cacequi-RS “importou” o Baile de Debutantes do clube e o transformou para os moldes gauchescos.

Sucesso até hoje, apresentando as jovens prendas para a sociedade tradicionalista. A debutante em seu primeiro baile, acompanhada de seus pais e par, tem uma noite de encantos. Nesses 45 anos muitas prendas passaram por nossos salões, e aqui no plural porque se espalhou pelos pagos, realizando esse sonho de menina mulher.

A divulgação desse baile muito se deve ao patrão Sr. Argeu Carvalho, figura conhecidíssima dos Congressos Tradicionalistas de outrora. Foi tropeiro, tradicionalista, folclorista e falta ista para esse pesquisador da história do Rio Grande do Sul. De suas pesquisas se fez a “Coletânea Histórica Argeu dos Santos Carvalho Cacequi na História”, elaborada pelo historiador Jorge Telles.

Quem já teve a oportunidade de participar de um Baile de Debut sabe como é lindo. Desde a decoração, apresentação das prendas, as valsas dançadas por elas…

De vez em quando alguém liga dizendo que tem outro C.T.G. reivindicando o primeiro Debut Tradicionalista, foi assim que foi batizado por seu idealizador (ele pesquisou muito e dizia que “sarau” acontece nos fins de tarde), e lá vamos nós correr para as atas atrás de datas. Até esse ano não entendíamos porque isso acontecia, com mais tempo e atenção descobrimos: pertencíamos a outra região tradicionalista, só depois de alguns anos passamos para 10ªRT.

Primeira menção na ata de 1975. (Sim esse dedo é meu, estava muito feliz de ter encontrado e a foto foi assim mesmo hehehe)

Bem essa é um pequena parte da história, mas que para nós tem grande importância! Feliz em compartilhar com vocês.

Aniversariamos!

É com grande alegria que agradecemos a todos vocês que nos acompanham e apoiam.

Chegamos nesse primeiro mês com mais de 1000 visualizações, acesso de 6 países, uma foto com 974 curtidas. Textos de queridos parceiros nessa ideia doida de escrever, sim, porque escrever e ler nos dias de hoje é um ato de resistência e perseverança.

Esse projeto, que com muito carinho fazemos e queremos continuar, é fruto de muitas leituras, debates, aulas assistidas, observações e vivências. Compartilhamos aqui para transformar esse espaço em um lugar de troca: aprendendo e ensinando.

Gracias amigos!

Diário de um Gaúcho Grosso: GAÚCHOS DE ANTIGAMENTE

Ana Terra mãe gaúcha

ANA TERRA, o retrato da mulher gaúcha aos olhos de Érico Veríssimo

Ana Terra é uma personagem fictícia de O tempo e o vento, obra do escritor gaúcho Érico Veríssimo, na qual ele funde ficção com a história do estado do Rio Grande do Sul. Que assim resultou em um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Mas por que escolher Ana Terra? Porque desde a primeira leitura tu já se encanta com a força e a representatividade que ela carrega para o universo feminino.

Disse Érico Veríssimo: “Penso nela como uma espécie de sinônimo de mãe, ventre, terra, raiz, verticalidade, permanência, paciência, espera, perseverança, coragem moral.”

Ana Terra é filha de fazendeiros de classe muito baixa do século XVII. O pai era o Maneco Terra e a mãe Henriqueta Terra, seus dois irmãos eram Antônio e Horácio. A família é de origem paulista mas vieram para o sul pois Maneco Terra sempre ouvia boatos que as terras do Rio Grande do Sul eram ótimas para viver de plantação, então o sonho dele sempre foi morar no sul.

Ana fazia o trabalho de casa com a Mãe Henriqueta, lavava as roupas na sanga, aquecia a água para o chimarrão dos homens e auxiliava a mãe, que era a única pessoa da casa que ela conversava, apesar de serem poucas palavras, pois o pai era muito conservador e os irmãos também, então ela se sentia muito sozinha grande parte do seu tempo.

A moça adolescente queria algo mais, queria ir embora daquele fundão de campo e morar em qualquer cidade mais próxima, mas o pai dela dizia que filha dele não nasceu pra viver assim. Até que um dia Ana conhece Pedro Missioneiro (filho de índia e de acordo com minha análise das descrições e da história, de um bandeirante paulista) um mestiço criado nas missões jesuíticas, que com o tempo se apaixonam e resulta em uma gravidez. Infelizmente Maneco Terra descobre e manda matar o Índio, assim Ana sofre com a perda e é mãe solteira (que nos séculos passados ser mãe solteira era uma vergonha para a família), então ela é rejeitada pelo pai e os irmãos.

O bebê era um menino, quem fez o seu parto foi a mãe Henriqueta com a velha tesoura de podar que tinha. Ana o batizou de Pedro em homenagem ao pai que havia sido morto.

Henriqueta adoece e acaba falecendo e assim Ana começa à tomar conta da casa, mas não por muito tempo porque castelhanos chegam na fazenda dos Terra saqueando os pertences e matando todos os homens da casa. E Ana escondeu seu filho, a cunhada e a sobrinha e voltou para a casa pois sabia que iriam procura-las fora da casa imaginando o que poderia acontecer com ela mas arriscando sua vida para salva-los.

Ana foi violentada por vários homens, até perder a consciência. Começou à se sentir suja, impura, repugnante por ter passado por estas barbáries. Mas Ana Terra sabia que devia seguir em frente, assim ela e o que restou da família partiram para o povoado de Santa Fé para tentarem recomeçar suas vidas.

Ana terra herdou da mãe Henriqueta a sua velha tesoura de podar que fez o parto dela. Assim Ana começou a fazer os partos do povoado e estruturar a família.

Escolhi Ana para minha mostra cultural porque me marcou muito a sua personalidade e me lembra das mulheres fortes da minha família.



A sociedade de sua época era totalmente patriarcal, onde homens eram à cima de tudo e as mulheres só serviam para cuidar da casa, filhos, procriação ou ser um objeto de uso e decoração. Ao contrário dessas mulheres, Ana Terra se tornou independente, foi forte, vou vitima de abuso para salvar o filho e a família, começou a sua vida do zero sendo uma mãe solteira.

Uma mãe, mulher, jovem determinada à cima de tudo. Exemplo de fibra e coragem… A figura da mulher gaúcha retratada na nossa literatura.

Manuela apresentando sua mostra folclórica na Ciranda de Prendas

Texto da prenda Manuela Belaguarda do C.T.G. General Osório de Cacequi-RS. Manuela fez da sua mostra folclórica a sua paixão: literatura. Todo esse amor encontra-se neste escrito lindo.

Faixa pampa, guarda pampa ou mapuche

Mapuche, os guardiões do Pampa

Pampa, bioma de vegetação rasteira caracteriza a região pastoril de planície e coxilhas que fez a história de três países. Não trataremos de geografia, mas da “Guarda Pampa” usada no barrado de palas, popular entre gaúchos. As formas geométricas são usadas em adornos de muitas peças e utensílios do artesanato regional na Argentina e no Rio Grande do Sul.


O símbolo é mais que um adorno decorativo, os desenhos são comuns aos povos andinos a séculos. Seu formato é uma cruz de doze pontas. O termo “guarda pampa” se refere a “guardiões das planícies” os Mapuche, povos originários das montanhas andinas, que chegaram ao pampa e povoaram a região. O símbolo adornava o pala de lideranças do povo Mapuche, e identificava a autoridade central ou “eixo do mundo” em sua comunidade.

A primeira fotografia tirada em 1897 pelo geógrafo Hans Steffen, da Wikipedia. A segunda do site Editora Mundo Missão


O termo Chakana (a cruz andina) é Quechua, mesma origem de muitos termos usados no Rio Grande do Sul, faz uma referencia ao Sol e ao Cruzeiro do Sul. A Chakana representa uma cruz que possui quatro lados onde se reproduz quatro direções (pontos cardeais) e as quatro estações do ano. Nas extremidades ha três escadas que representam três mundos comuns a muitas culturas: o mundo dos Deuses, o mundo dos homens e o mundo dos mortos. O centro traz a dualidade do universo do vazio ao conhecimento. É uma pirâmide em forma de escada os quatro lados representam a união entre o alto e baixo, terra e Sol, o homem e divindade, feminino e masculino, Norte e Sul, tempo e espaço.

Em Aymara o termo se refere a escada, em muitas línguas nativas o símbolo significa um ponto e ligação, seja do mudo real ao imaginário, a dicotomia do mundo. Não é uma forma aleatória, o símbolo é o resultado da observação dos astros, representa o universo a constelação do Cruzeiro do Sul que guia o cotidiano dos andinos, o formato da pirâmide em cruz (cruz quadrada), traz a representação das quatro pontas, as quatro estrelas.

Os andinos celebravam a chakana no dia 3 de maio (É hoje gurizada, admirem o céu) pois neste dia o Cruzeiro do Sul assume a forma de uma cruz perfeita. Acreditava-se que a cruz protegia a plantação e por isso havia marcações com o símbolo na área onde eram feitos os cultivos.

Bandeira do povo Mapuche


A repetição dos símbolos representam montanhas e lagos é como um mapa da comunidade Mapuche (Mapu=terra, che=povo, o povo da terra). As figuras lado a lado referem-se a uma sociedade harmoniosa, união e força. O indivíduo desta comunidade é parte do meio em que vive, o símbolo que representa o todo e cada sujeito, o ponto central a alma de cada um.
Temos outros símbolos de origem indígena, representam grupos ou famílias distintas do lado platino e brasileiro, mas há pouco material para pesquisa. O que temos a nos deslumbrar é a herança dos guardiões do Pampa nos legaram termos como chucro ou xucro (os dois estão corretos), cusco, guaiaca, mata e o nosso tão reverenciado em versos e canções o Pampa. Estes homens e mulheres nativos são a base do que hoje chamamos de gaúcho, independente do lado da fronteira que ele esteja. O que nos faz crer que os desenhos encontrados em palas e outros objetos tem sua origem no gauchismo ancestral dos Mapuches.

Esse texto é da página Pilcha Gaúcha. Foi a primeira vez que li sobre a ligação do símbolo com o céu e o cultivo e confesso que me apaixonei.

Pesquisei também em:

Editora Mundo e Missão: https://www.editoramundoemissao.com.br/povo-mapuche-continua-na-luta-por-seus-direitos/

La Pampa Gaúcha: http://lapampagaucha.blogspot.com/2012/06/guarda-pampaos-significados.html

Linha Campeira: https://www.youtube.com/watch?v=K3NUiCCEsVY

Estudando no boteco

Porque não tem desculpa para não estudar né?! Seja no galpão ou no boteco estamos sempre aprendendo e ensinando.

A professora Tainá Valenzuela fez uma live hoje, com revisão para a Ciranda e Entrevero, e foi muito maravilhosa. Ela nos enviou o material para acompanhar a live e divulgar aqui. Gracias Sora!

Te liga porque vai ter mais. Então te inscreve no canal dela pra não perder nenhuma. Baixe os materiais para acompanhar a live:

Revisão da Tai

Mapas revisão

Fica ligado na nossa página do face também, compartilhamos bastante coisa boa que tá rolando por aí.

Dia Internacional da Dança

Uma das formas mais antigas de expressão, movimentos organizados ao ritmo de algum som, gestos baseados nos sentimentos, a imitação de um animal, de alguém, o contar de uma história, a conquista…

A dança expressa, da movimento aos pensamentos, aos sentimentos, emociona, alegra, nos traduz… Desde a sociedade primitiva ela está presente em todos os momentos importantes da vida: na guerra e na paz, nascimentos, casamentos e até funerais. Existem danças só para mulheres, outras só para homens, outras para os pares…

Sua história é riquíssima e traz em seus movimentos a história do mundo, das pessoas, da evolução dos povos. É feita de prazer e por isso perdura através do tempo e por gerações. Nasce e vive ligada à vida.

No Rio Grande do Sul faz parte do dia-a-dia, de cada momento histórico. Ela pode ser vista como fonte de passagem de conhecimentos de uma geração para outra de nossa cultura, de nossas tradições. A base de toda dança tradicional gaúcha é a teatralidade onde mostram questões de religiosidade, de conquistas, de habilidades e o respeito à prenda.

“A interpretação da dança é da maior importância e validade, pois traduz a característica de uma época, a expressão da vida de uma coletividade, o desenvolvimento sócio-cultural de uma comunidade, enfim, o FOLK, que é o próprio sentir, agir e reagir natural do povo. Dance com a cabeça, e não somente com os pés. A mente é que comanda as manifestações físicas de nosso ser. A medicina conceitua morte cerebral como morte da vida. Não seja um dançarino morto e não faça do dançar uma manifestação sem vida.”

 Paixão Cortes – O Gaúcho 

In Bailar Gaúcho Entre a técnica e o sentir – Barbosa, Cristiano da Silva, pág. 71.

Texto presenteado a nós por Sandra Regina de Alencastro Lima, Diretora Artística da 10ª Região Tradicionalista

Feliz Dia Internacional da Dança

“Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”, essa frase de Rosa de Luxemburgo que provoca quem a lê sempre nos remeteu, também, à dança.

Parabenizamos a todos os dançarinos e as dançarinas pelo dia de hoje. A todas invernadas artísticas que nos enchem os olhos e o coração. E a todos que dançando ou só batendo o pezinho no chão curtem e admiram essa arte.

E claro, parabéns e obrigado a todos professores e instrutores que dividem conosco o que sabem. Gracias por este regalo.

E falando em presente, ontem pedimos e fomos prontamente atendidos com um texto do Grupo de Estudos do Projeto Fala aí, Professor!:

DANÇA

A dança embalou culturas,
Reverencio divindades.
Cruzou peraus e lançantes
E se aquerencio na cidade

Enfeitou salões e ranchos
Rodopiou ao bel prazer,
Dançar e falar com o corpo
Pra o outro corpo entender.

Reuniu quem estava longe
Sem credo, raça, nem cor,
E num princípio de humildade
Me Fala Aí Professor

Dois olhares que se atraem, tímidos os dedos se tocam
Os pés que estavam parados, dizem eu amo em movimentos.
A boca apenas sorri, palavras em pensamento
O ritmo toma conta dos corpos e a dança dos sentimentos

De dentro dos palcos saímos
Pra ajudar homem, mulher e criança
Fazendo muito mais do que passos
Pois nunca foi só dança

Já dizia o velho ditado:
“Quem corre pelo que quer não cansa”
Seguimos lutando por nossa causa
No Dia Internacional da Dança

Que baita presente heim?

E como gostamos e precisamos estudar deixo aqui uma apostila de um curso sobre as Gerações da Dança, ministrado por Paixão Cortes. Polígrafo didático para o curso de Panambi/RS – Janeiro de 1983 – Ministrante e folclorista: Paixão Côrtes – Auxiliares técnicos: Ery Assenato e Térson Praxedes

Mate Virtual 2020

E a nossa primeira roda de chimarrão foi linda e teve até clipe do Chiquito e Bordoneio. Agradecemos a todos os amigos que participaram com seu amargo que adoça os dias. É muito importante para nós a participação de vocês. E vamos as fotos da roda #VemproMate e #EstudandonoGalpao.

A primeira cedito na lida. Aline Conceição.
Sandra Lima
Amanda Goersch
Allan Delavequia
Duane Arend
Tânia Garcia
Sabrina Soares
Shana e Diogo Elesbão
Karine Randolpho

Até o nosso próximo encontro. Gracias!

INDÍGENAS DO SUL: O LEGADO DEIXADO EM NOSSA HISTÓRIA

Ao contarmos a história do Rio Grande do Sul temos o costume de enfatizar a dos imigrantes, governantes e principalmente a Guerra dos Farrapos. Porém, em nosso estado, assim como em todo Brasil, antes da chegada dos Ibéricos (portugueses e espanhóis) habitavam aqui os povos indígenas. Estes povos foram injustiçados, massacrados, perderam seus territórios e tiveram sua fé negada e vista como inferior pelos europeus. Entretanto, os indígenas que habitavam as terras do Sul do país, apesar de todas as dificuldades sofridas, nos deixaram inúmeras práticas culturais das quais cultivamos até hoje em nosso estado.

Entre os símbolos do Rio Grande do Sul estão a erva-mate e o chimarrão. Antes da chegada dos europeus a erva-mate era usada principalmente pela tribo Guarani, que se localizava nas regiões central e litoral indo além da fronteira com a Argentina. Eles a utilizavam como um estimulante e ela era consumida em infusão ou mascada. Com a chegada dos jesuítas os Guarani passaram a fazer um canudo de madeira chamado de Tacuapi (uma bomba de madeira) para ingerir a erva e assim dando origem ao chimarrão que conhecemos hoje. Outras tribos com o passar do tempo também aderiram ao costume assim como os europeus.

“O uso dessa bebida é geral aqui. Toma-se ao levantar da cama e depois várias vezes ao dia. A chaleira de água quente está sempre ao fogo e logo que um estranho entra em casa se lhe oferece o mate”. Esta é uma observação sobre o chimarrão do naturalista francês Auguste de Saint Hilaire, após sua visita em solo gaúcho por volta do ano de 1820. E ainda hoje vemos esse costume presente em todos os cantos de nosso estado.


Os Guarani também trouxeram para o Rio Grande do Sul a horticultura, algumas palavras da nossa linguagem como: anú, sapucaí, araçá, entre outras. A medicina de ervas e as cuias de “porongo” usadas para o chimarrão.

Guaranis atualmente nas ruínas de São Miguel das Missões – Foto: Dainele Pires

Outro símbolo do nosso estado é o churrasco, que também tem sua origem vinda dos indígenas. A carne era assada em “espetos” de madeira fincados no chão. Geralmente se atribui o churrasco aos índios Pampeanos (Guenoas, Bohanes, Yarós, Charruas e Minuanos), pois estes não praticavam a agricultura e viviam da caça, coleta e da pesca. Os charruas foram a tribo que formou grande parte do que conhecemos como o gaúcho de antigamente que veio a formar o que vemos nos dias de hoje, pois eram eles que usavam os chiripás, botas garrão de potro, ponchos, manejavam muito bem as boleadeiras (cupiá) que tinham cordas de até um metro e meio e serviam principalmente para a caça ao gado solto no campo, se tornaram grandes cavaleiros e também adotaram o costume de tomar chimarrão.

Com a ocupação dos portugueses e espanhóis em suas terras, os Pampeanos foram obrigados a ir cada vez mais para o interior, alguns tiveram que trabalhar nas fazendas e assim os costumes se misturavam. Os poucos índios deste grupo que restaram foram exterminados com o passar do tempo, principalmente por não aceitarem a conversão ao catolicismo (uma das formas de dominação), e serem reduzidos nas missões jesuíticas.

Índios Pampeanos. Carlos Morel cerca de 1830. MNBA de Buenos Aires

Havia também em nosso estado um terceiro grupo de indígenas: os Gês, formado em sua maioria pelos Kaingang, que se localizavam no norte do estado, habitando a serra gaúcha. Os jesuítas tentaram os reduzir, mas não conseguiram, eles mantiveram sua cultura fortemente. Porém, com o passar do tempo os Kaingang foram forçados a deixar seus territórios, foram mortos pelos bandeirantes e também tiveram suas terras invadidas pelos cafeicultores e imigrantes que chegaram entre os séculos XIX e XX. Nos dias de hoje, o povo indígena do Rio Grande do Sul se constitui em maior parte pela tribo Kaingang.

Kaingang: Concun, cacique do Toldo, com 80 anos e seu ajudante, Moreira. Foto: acervo Museu do Índio, década de 1920.

Devemos ter a consciência de que a cultura do nosso estado é formada por vários elementos de outras culturas. Que os indígenas, assim como os negros, as mulheres e os imigrantes, também são protagonistas da nossa história, principalmente por terem sido um povo que passou por inúmeras perdas e até hoje, infelizmente, ainda precisam lutar pelos seus territórios, pelos seus direitos e contra a discriminação do branco, que já o persegue desde quando passou a dominar o Brasil.

No Rio Grande do Sul o nosso povo tem sempre muito orgulho de sua cultura, mas ainda precisamos ter conhecimento e respeitar de onde ela realmente veio, e de quem veio.  

A autora em sua mostra folclórica na Ciranda de Prendas do C.T.G. General Osório

REFERÊNCIAS:

LIVRO – Releituras da História do Rio Grande do Sul – AUTORES: Ana Regina Falkembach Simão; Arthur Lima de Avila; Edison Bisso Cruxen; Jorge Euzébio Assumpção; Luís Fernando da Silva Laroque; Marcia Eckert Miranda; Paulo Roberto de Fraga Cirne; Raul Rebello Vital Junior; René E. Gertz; Ricardo Arthur Fitz; Sérgio Roberto Rocha da Silva;Véra Lucia Maciel Barroso.

http://www.jurassico.com.br/aulas-de-historia/os-indios-rio-grande-sul/

http://cantinhogaucho.blogspot.com/2016/12/estuda-tche-sociedades-indigenas.html

https://historia-do-rio-grande-do-sul.webnode.com/exterminio/

https://projetoriograndetche.weebly.com/povos-indiacutegenas.html

Sobre a autora: Daísia Dutra, prenda do C.T.G. General Osório de Cacequi – RS. Futura historiadora, apaixonada por nossa cultura. Este texto foi escrito com muito carinho para a sua mostra folclórica e emprestado para este galpão.

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